domingo, 1 de abril de 2012

"Merry-Go-Round", Rupert Julian e Erich von Stroehim (1923)


Este filme acabou por ficar para a história decorrente da ordem de Irving Thalberg para substituir Stroheim a meio das filmagens. Alguns dos motivos da sua dispensa, constantes na carta de demissão, foram: insubordinação, deslealdade à companhia que o contratara, ideias extravagantes, atrasos desnecessários, flagrante desprezo pelos princípios da censura. Porém o realizador deixou marcas do seu estilo na cenografia e na construção de algumas cenas e introduziu no enredo o ambiente vienense e temas que seriam desenvolvidos em "The Merry Widow" (1925), "The Wedding March" (1928) e "Queen Kelly" (1929).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"The Ten Commandments", Cecil. B. De Mille (1923)


De Mille na grande superprodução do Cinema Mudo, lado a lado com "Intolerance" de Griffith. O filme está dividido em duas partes, na primeira conta-nos a saga de Moisés a libertar os Hebreus do Egipto e a entregar-lhes os Dez Mandamentos; o argumento desta primeira parte são versículos inteiramente extraídos do Segundo Livro da Bíblia, o Exôdo.

Na outra metade do filme acompanhamos o dia-a-dia de uma família na actualidade, onde a mãe é fervorosamente seguidora dos Mandamentos e sofre ao ver os seus filhos perderem-se por não acreditarem e seguirem a mesma Fé.

De Mille voltaria a filmar "The Ten Commandments" em 1956, dessa feita num majestoso "technicolor" e com Heston como Moisés e totalmente centrado nos tempos bíblicos.

domingo, 13 de novembro de 2011

"Salome", Charles Bryant (1922)


"Salome" trata-se da primeira adaptação cinematográfica da obra literária homónima de Oscar Wilde, que nos conta a história de Salomé, filha de Herodíades, que seduz o seu padrasto e tio Herodes, governador da Judeia, com uma dança lasciva. Em troca, ele promete-lhe a cabeça do profeta João Baptista.

O sinal maior do filme acaba por ser a aparição do mito teatral Alla Nazimova, numa obra que foi repudiada pelo público e crítica a quem não agradou a ambientação e o estilo ultra-moderno adoptado.

Mais acostumada a representar no palco do que à frente de uma câmera, Nazimova gesticula e usa toda a expressão corporal e facial aprendida no teatro para desenhar a personalidade maliciosa de Salomé. Charles Bryant deixa-se apagar por completo, num filme totalmente controlado por Nazimova e Natacha Rambova (coreógrafa).

Outro facto curioso é ver Nazimova (que recusava-se a aceitar o facto de estar a envelhecer) aos 44 anos interpretar uma Salomé de 16 anos. Em menos de trinta minutos é encenada uma Salomé cheia de luxúria, egoísta e impiedosa nas suas vontades. Cega pela força irreal de seus caprichos, padece na concretização dos mesmos. Os "closeups" do rosto da jovem Salomé, mostram uma aura translúcida da actriz que interpreta numa imersão própria de sua técnica. Salomé é, definitivamente, um filme de imagens.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"Orphans of the Storm", D. W. Griffith (1922)


As duas irmãs de criação Louise e Henriette crescem juntas e desenvolvem uma forte relação. Henriette jura cuidar para sempre da irmã, que é cega, contudo, numa viagem a Paris, as duas são separadas por um aristocrata, que está interessado em Henriette. O reencontro das duas mulheres volta a dar-se tendo como pano de fundo a Revolução Francesa.

"Orphans of the Storm" foi o último grande sucesso de Griffith, e poderia ter fechado a sua rica carreira no Cinema com chave de ouro, já que o Cinema falado não foi tão generoso com ele. O filme que teve como pano de fundo a Revolução Francesa, recebeu dos críticos uma áurea de retorno triunfal de Griffith, já que desde "Broken Blossom" de 1919, que os filmes do "Pai do Cinema" não tinham causado tanto alvoroço e expectativa.

Não foi à toa que para este filme os bilhetes foram aumentados para 3 dólares, pois os espectadores puderam ouvir uma orquestra de 60 músicos que prepararam a atmosfera para o início da projecção, além de um prólogo ao vivo sobre o bacanal na corte de Luis XVI. O filme em si, já "antevendo" a era do som, tinha efeitos especiais e sonoros sincronizando tudo: trovão, bater de palmas, tiros de canhão, o tilintar de espadas e os sons de uma guilhotina. Griffith, que sempre estivera à frente de sua época, colocou efeitos de cor, um processo que já houvera introduzido em "Intolerance" em 1916 e também em "Broken Blossom", e, para além disso, na sua magistral apresentação de estreia, projectou luzes coloridas na tela durante passagens apropriadas para aumentar as próprias matizes e tons.

Os críticos aplaudiram entusiasticamente e muita gente afirmou que o filme era mais que uma obra-prima, seria um sucesso estrondoso mundial, o que realmente aconteceu de forma descomunal, e de forma merecida também. Para coroar esta obra magistral de Griffith, neste filme, críticos de várias gerações concordam que esta foi a melhor performance de Lillian Gish no cinema, ela que fora a actriz preferida do realizador e, sem dúvidas, a aclamação pela crítica como a melhor actriz da era do Cinema mudo, é totalmente justificada.

Actriz espetacular que, com sua irmã, Dorothy Gish, encanta e emociona a todos, ao se desenrolar o drama das suas vidas, enquanto a Revolução Francesa, que é, ao mesmo tempo, pano de fundo e tema principal, torna esta obra, um épico indispensável à história do cinema e de toda a humanidade.
"Manslaughter", Cecil B. DeMille (1922)


Em 1922, Cecil B. DeMille "swingava" pela Década do Jazz a contar esta história de uma menina mimada e de excessos, que tem o contraponto num procurador que a ama "for the girl he thinks she could be, but not for the girl she is". Com "flash-backs" históricos a reforçar o hedonismo da personagem principal, DeMille está menos afirmativo e "swinga".

"Cops", Buster Keaton (1922)


Buster Keaton prova com "Cops" que a paranóia "kafkiana" pode ser muito engraçada. Keaton interpreta uma alma diletante cuja namorada só se dispõe a dar-lhe atenção caso este tome em mãos o seu futuro e a partir daí nasce esta clássica pantomina, cheia de situações dignas de Kafka mas ao sublime uso da comédia.

Desde o princípio até oa fim, esta curta-metragem de Keaton é consistentemente hilariante e repleta de cenas que ficaram famosas, especialmente a longa fuga de Keaton aos polícias. Inesquecível.

Similar ao actual programa de TV que partilha o mesmo nome, "Cops" de Keaton foi integralmente filmado ao vivo nas ruas de Los Angeles.
"Sodom and Gomorrah", Michael Curtiz (1922)


Os primeiros passos do cineasta austríaco, aqui numa escala épica ao gosto do tempo.